sexta-feira, 6 de maio de 2016

A Natureza na Educação

Nas discussões a respeito da Natureza na Educação enfatizou-se a importância da criança ter o contato com a natureza, todos seus elementos e sentir-se pertença desta. Montessori faz o paralelo entre a vida natural e a vida social, enfatizando que a social é feita de restrições e renúncias. Com um pensamento mais do que atual, a autora cita a correria do dia a dia, o ritmo frenético da sociedade. O ambiente artificial que podemos construir, nos importando com vestidos e roupas, sapatos incômodos, pessoas se acotovelando na rua, sérias, sem sorrir, sempre preocupadas. Tais fatores podem, por muitas vezes, interferir nas possibilidades das crianças viverem imersas na natureza. Umas das conquistas mais urgentes propostas pelo método é de que as crianças não apenas conheçam a natureza e sim vivam nela, sentindo-se pertença. Para isso, torna-se necessário que um adulto proporcione aos pequenos o contato, convívio e a liberdade de experienciar todos os seus elementos.
Montessori (1965, p. 67) dá a dica,
Deixai as crianças em liberdade; deixai-as correr lá fora sob a chuva, tirar os sapatos e pulas poças d' água; pisar descalças, a relva úmida dos prados; que elas possam descansar tranquilamente sob a sombra acolhedora de uma árvore, gritar e rir à tépida luz de um sol nascente que acorda todos os seres vivos que têm seu dia dividido entre a vigília e o sono.
Muito ao contrário do que a autora coloca, no mundo atual, muitas vezes agindo automaticamente, o que fazemos é mandar as crianças sairem da chuva, cuidar para não pisarem nas poças d'água, cuidar com o calor do sol, não propiciar momentos que desfrutem das agradáveis experiências com a mãe natureza. Desta forma, nos omitimos em oportunizar a vivenciar na/ com a natureza e tudo o que ela poderá revelar. Cabe a escola, lugar onde acontece a educação formal, propiciar momentos do convívio e contato com a natureza, fazendo co que os pequenos possam fixar a atenção sobre cada componente em particular, desfrutar e desenvolver o amor pela natureza e por tudo o que a envolve.
A criança, maior observador espontâneo da natureza, sente, indubitavelmente, a necessidade de ter, à sua disposição, um materialcom que agir (MONTESSORI, 1965, p.69)
E o que fazemos? Damos a eles esta oportunidade? ou trancamos as crianças em salas de aulas repletar de conteúdos, que obrigatoriamente " precisamos dar conta"? O material que a autora explicita, nada mais são os animais, as flores, as frutas, os elementos água, terra, ar e fogo. Algo que chama a atenção na fala da autora é a respeito da semeadura e colheita. Muitas vezes, para Montessori, as aulas de jardinagem tornam-se superficiais.
A ação de enterrar uma semente e aguardar o desabrochamento da planta é um trabalho muito breve e uma espera muito longa para as crianças. [...] O trabalho mais agradável não é semear, mas, sim, colher: trabalho este não menos custoso que aquele. É a colheita que intensifica o interesse pela semeadura. Quem já experimentou o prazer da colheita, mais fruirá o fascínio oculto da semeadura. (MONTESSORI, 1965, p.71)
Neste contexto, destaca-se que, ao colher e entender este processo, todo o tipo de semeadura será mais valorizado, pois a criança compreenderá o produto final do semear e poderá acompanhar todo o processo. E isso poderá ser aplicados a várias experiências dos alunos. A partir do momento que compreender como se dá o produto final sempre valorizará o caminho que levará a ele. Termino este post com as lindas palavras da Montessori (1965, p.73), as quais tocam a alma e o coração.
Até mesmo para nós, um jardim com muitas plantas e flores fica sendo um lugar cheio de "mistérios", estranho ao nosso espírito. Dentro dele nossos pulmões respirarão muito bem, mas nossa alma não se sentirá correspondida. Por outra parte, um jardim muito pequeno não nos poderá satisfazer: o que nele se vê é uma miséria, uma insignificância que não basta aos nossos anseios nem satisfaz a fome do espírito que aspira ao contato com a natureza. Há, pois, limites: os limites do "nosso jardim", onde cada uma das plantas nos é cara e aporta um sensível auxílio à formação da própria personalidade