No último encontro ainda continuamos na discussão a respeito do capítulo do ambiente montessoriano. Desta vez, contemplamos os itens: professor, disciplina e liberdade.
Ao conversarmos vimos que tudo é interligado, que os itens se completam.
A disciplina, no método Montessori, parte da liberdade a qual leva a criança ao conhecimento de si mesma, do outro e do ambiente em que está inserida. Para que um aluno desenvolva a disciplina precisa que esta torne-se um hábito e que chegue ao ponto de não depender da supervisão de um adulto. Ela deve ser compreendida e internalizada pela criança de forma que sua prática aconteça naturalmente e com autonomia. Entende-se que a disciplina não é algo rígido. Ela está ligada diretamente à liberdade. Cabe ao professor observar o aluno, entrever os acontecimentos para que possa intervir quando necessário, de forma discreta, auxiliando no desenvolvimento da disciplina do educando. A autora enfatiza que uma pessoa disciplinada é
um indivíduo que é senhor de si mesmo e, em decorrência pode dispor de si ou seguir uma regra da vida (p.45)
Quando a criança desenvolve a disciplina, ela não conserva um silêncio artificial, de fora para dentro, longe da imobilidade. Ela faz com que a criança saia de um momento passivo e torne-se ativa, com responsabilidade.
Montessori destaca que a liberdade é uma condição favorável ao desenvolvimento da criança. Ela auxiliará no desenvolvimento da autonomia. A liberdade permite a iniciativa útil e os limites. O método montessoriano tem como um dos eixos principais a educação para a liberdade, porém Montessori enfatiza que também há, nesta liberdade o interesse coletivo e as observações do professor, ou da mestra, como ela fala. Ao ir de encontro com à liberdade, a criança passa a se manifestar espontaneamente, revelando sua própria natureza.
Para Montessori,
A vida se manifesta, a vida cria, a vida floresce e ela se mantém dentro de limites e de leis irreprimíveis (p.57)
.
A educação precisa trabalhar a liberdade, pois esta liberta a criança dos obstáculos que a impedem de se desenvolver. Neste momento cabe ao professor a correção dos erros, estudando e apontando as necessidades específicas de cada aluno.
O professor tem um papel fundamental no método Montessori. Como observador e mediador, ele não deve ser autoritário, invasivo, mas deve ser presente. Cabe ao professor preparar o ambiente; observar os fenômenos naturais que ali acontecem; ser paciente; ter curiosidade científica; ter respeito aos fenômenos observados; intervir, sempre que preciso;conduzir a criança à independência; ajudar a criança a orientar-se diante da diversidade de materiais, assim como compenetrar-se do seu uso específico; possibilitar a criança na livre escolha.
Eis o ponto de partida indispensável a toda disciplina : e também o período mais cansativo para a mestra. A primeira noção que as crianças devem adquirir em vista a uma disciplina ativa, é a noção do bem e mal. E é dever da educadora impedir que a criança confunda bondade com imobilidade, maldade com atividade;[...] Nosso objetivo é disciplinar a atividade, e não: imobilizar a criança, ou torná-la passiva. (p. , 50)
Entendemos, por meio das reflexões e discussões, que no momento atual, trabalhar com a liberdade torna-se , de modo geral, mais complicado. No cotidiano educacional, notamos alguns alunos muito dependentes, esperando sempre o comando externo para executar esta ou aquela atividade. Sendo assim, é um grande desafio para o professor montessoriano, sendo necessária a parceria com a família para que a criança possa se tornar autônoma, e assim saber agir com liberdade.
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